Como devo segurar o celular?

Leve o celular até os seus olhos em vez de levar os olhos até o celular. Segure-o mais ou menos na altura do peito ou do queixo, com os cotovelos junto ao corpo, de modo a olhar para baixo uns 15 ou 20 graus em vez de 60. Essa única mudança tira a maior parte da carga mecânica do seu pescoço, e não custa nada.1

Por que o ângulo importa tanto?

Porque a carga sobre o seu pescoço é alavanca, não peso. Sua cabeça pesa o mesmo faça o que fizer com ela, cerca de 5 kg. O que muda é o quanto ela fica à frente do eixo da sua coluna e, portanto, o quanto os músculos da nuca precisam puxar para que ela não caia.

Os modelos de carga cervical por ângulo da cabeça dão uma noção da ordem de grandeza.2

Olhando para baixo aCarga estimada no pescoçoEquivale mais ou menos a
~5 kgSua cabeça, equilibrada
15°~12 kgUma melancia grande
30°~18 kgUm pneu de carro
45°~22 kgUma mala de bordo cheia
60°~27 kgUma criança de oito anos

São estimativas de modelo, frequentemente repetidas com mais precisão do que o estudo original sustenta. Trate os números como ilustração e a tendência como confiável.

Quanto tempo de celular isso dá de fato?

Veja o relatório de tempo de tela do seu próprio aparelho em vez de estimar. Quase todo mundo subestima bastante, e é exatamente esse o ponto: a três horas por dia, seus músculos cervicais carregam 15 kg extras pelo equivalente a um dia inteiro de trabalho por semana.

Qual é a versão prática?

Cinco hábitos fazem quase todo o trabalho, e nenhum exige que você use menos o celular. O princípio é o mesmo em todos: mantenha o celular perto da sua linha de visão e apoie os braços, porque braços sem apoio cansam em dois minutos e o celular volta para o colo sem você perceber.

  1. Levante o celular, não abaixe a cabeça. Cotovelos contra as costelas para que os braços fiquem apoiados.
  2. Apoie quando der. Um suporte, uma pilha de livros, o braço de uma poltrona.
  3. Mova os olhos, não a cabeça. Seus olhos têm uma amplitude confortável ampla. Use antes de inclinar o pescoço.
  4. Sente-se recostado, não à frente. Empoleirado na beirada do assento com o celular no colo é a pior posição comum.
  5. Troque de mão. Uma hora com o celular na mesma mão carrega um lado do pescoço e do ombro mais que o outro.

E ler ou jogar na cama?

Ficar escorado em travesseiros com o queixo no peito é a flexão cervical sustentada mais extrema que quase ninguém faz voluntariamente, e costuma ser mantida por uma hora ou mais.

Melhores opções: deitado de costas com o celular acima do rosto e os cotovelos apoiados em travesseiros, ou sentado bem ereto com encosto e o aparelho elevado. Ambas parecem menos confortáveis no começo, o que diz algo sobre o quanto seu pescoço se adaptou à posição fletida — não é um argumento a favor da antiga.

Um ritmo de pausas ajuda?

Sim, e é mais eficaz do que tentar manter uma posição perfeita. O problema é a carga sustentada; a solução é interrompê-la. A cada 20 ou 30 minutos, levante o olhar, leve o pescoço por toda a amplitude e gire os ombros. Dez segundos bastam para reiniciar o estado muscular.3

Isso reverte sozinho um problema cervical existente?

Remove o estímulo que continua causando, o que é necessário e raramente suficiente. Hábitos de anos também deixam músculos curtos em alguns pontos e fracos em outros, e essa parte exige trabalho real de força: flexores cervicais profundos e músculos entre as escápulas.

Pense no hábito do celular como fechar a torneira, e no exercício como esvaziar a pia. Fazer só uma das duas coisas é bem lento.